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Atrasos na Fala

Muitos pais questionam-se sobre a fala dos seus filhos: se falam de uma forma estranha, se trocam a ordem das sílabas ou se gaguejam..o que fazer?

Apesar de cada criança ter o seu ritmo de aprendizagem, é importante saber o porquê, para poder detectar antecipadamente os atrasos e alterações na fala, e o mais importante ainda, saber quais as medidas adequadas a cada situação. Os pais podem ser os primeiros a notar diferenças na fala dos seus filhos ao ouvi-lo a falar, como a má dicção ou a gaguez, pois a fala de cada criança é muito evidente. Quando começam a notar tais diferenças, muitas vezes não sabem o que devem fazer, e por falta de informação, comparam a linguagem dos seus filhos com outros filhos, sobrinhos, filhos de amigos, vizinhos com idades similares etc.

Quando têm conhecimentos, muitas vezes não são o suficiente para tirar conclusões acertadas sobre a normalidade da linguagem dos seus filhos. Não é apenas através do aparecimento gradual de sons de acordo com a sua complexidade e a capacidade da criança para os reproduzir, alterar ou omitir nenhum deles, que a pronúncia se desenvolve. Implica também que as diferentes sílabas sejam pronunciadas pela ordem adequada. Por exemplo, quando a criança diz: comolotiva ou mocolotiva quando se refere a uma locomotiva, pode ser útil chamar a atenção sobre a ordem correcta das sílabas. Porém quando não existe outro problema associado, estas inversões de sílabas normalmente desaparecem depois de algum tempo.

Apesar das crianças entre os três e o final dos quatro anos adquirirem um domínio importante na pronúncia, nem todas aprendem a falar da mesma forma nem sabem com a mesma idade os diferentes passos para articular correctamente as palavras. A personalidade de cada um e o ambiente em que se inserem são alguns dos factores que marcam as diferenças que se pode encontrar na linguagem infantil. Os atrasos ligeiros da fala podem dever-se a várias causas. A criança pode por exemplo não articular bem algum fonema porque tem dificuldade em colocar correctamente os lábios ou a língua na fala, ou devido à falta de um modelo adequado que a criança tenha para imitar. Por vezes os pais falam aos seus filhos com os mesmo vocábulos imprecisos que eles utilizam, ou pode acontecer a criança chegar ao infantário e criar uma grande amizade com outra que articule mal um fonema ou que gagueje e ele solidarize imitando-o.

Os pais têm de transmitir que a amam e a aceitam tal como ela é, procurar explicar aquilo por que a criança está a passar e assegurar-lhe que existe a possibilidade de eliminar essa dificuldade. Corrigir e criticar a criança não ajuda a superar os seus problemas, quanto mais a piorar os transtornos existentes e a criar novos. Quando os pais deduzem que se trata de um problema passageiro porque a criança já corrigiu outros erros de pronúncia anteriormente, pode ser oportuno intervirem. Eles podem indicar a posição da língua ou dos lábios para pronunciar um som determinado. Para que a criança compreenda bem o que tem de fazer, podem fazê-lo ambos em frente de um espelho, ou olhando-se cara a cara. Se for um /r/ que lhe resiste, podem começar por pedir-lhe que faça ruídos de uma moto ou que repita um a seguir ao outro os sons [te] e [de] muito rapidamente.

Se o que tentam corrigir são as sílabas complexas que levam o /r/ ou o /l/, têm de começar por desdobrá-las, como por exemplo, se a criança diz futa em vez de fruta ,estela por estrela ou pato por prato, começam por dizer furu-ta, estere-la ou para-to para que os imite. Se os transtornos de articulação, inversão de sílabas ou gaguez persistirem para além dos cinco ou seis anos ou se resistirem às tentativas de correcção, podemos falar de significativo transtorno da fala. Alguns problemas podem dever-se a causas orgânicas, isto é, os órgãos envolvidos na produção da linguagem estão lesionados ou funcionam mal. Podem dever-se a malformações no palato, lábios etc… ou existir uma má implantação dentária.

Se os pais observarem um problema de linguagem no seu filho, não devem assumir o papel de terapeutas, pois o tratamento exige um minucioso exame médico, logopédico e psicológico para analisar a origem do problema. É frequente nestas circunstâncias os pais exigirem demasiado dos seus filhos e com isso piorarem a situação, é assim recomendado consultar um especialista da linguagem. O papel mais importante dos pais é de demonstrar que o apoiam e o amam.